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segunda-feira, 13 de junho de 2016

Harry Potter and the Deathly Hallows - Part 2 (Protecting Hogwarts Scene - HD)



Tammy's In Love - John Solo Guitar



"Hoy es un buen dia para surgir del fondo y emerger resplandeciente de cualquier adversidad, asi como la flor de Loto emerge de lo profundo de los pantanos; revelando su Belleza y manteniendola entre el sucio fango que la rodea."



Mentor Espiritual, Anjo da Guarda e Espíritos Protetores (Qual a diferença entre eles)




Mentor Espiritual:

Quem é? Qual seu papel em nossa vida?
Segundo a Doutrina Espírita, todos os homens que empenham em seguir determinado caminho têm ao seu lado o amparo espiritual daqueles, que, desencarnados, se propõem a ajudar encarnados que têm o mesmo objetivo, crença ou propósito. Médicos, Professores, atores, juízes, religiosos, todos contam com a parceria e orientação, embora muito sutil, do plano espiritual. Quem nunca recorreu a um amigo ou conselheiro para resolver determinadas questões? Para os médiuns não é diferente, pois estão imbuídos do compromisso que assumiram antes da reencarnação de servir de intermediário entre os dois planos da vida. E todos eles, sem exceção, contam com a presença de um guia espiritual.
O papel de um mentor é muito parecido com o trabalho de um professor. Quando se aproxima de um médium, é pela sintonia de afinidade. E o seu papel, diferente do que muitos espíritos imaginam, não é o de proteger o seu pupilo, mas sim orientar e ensinar. A proteção espiritual fica a cargo dos espíritos protetores do médium, normalmente familiares e amigos de outras existências, e, também, do anjo da guarda. A função do mentor é exclusivamente de orientação espiritual. André Luiz os classifica como grandes almas, pelo papel desempenhando junto aos homens. Estão muito ligados à humanidade e certamente ainda têm a possibilidade de retorno à carne. Não sabem tudo e estão empenhados em aprender e aprimorar seus conhecimentos para melhor amparar os seus protegidos.
Um único médium pode ter mais de um mentor e um único espírito pode amparar vários médiuns ao mesmo tempo. Chico Xavier é o nosso maior exemplo: teve Emmanuel como guia por varias décadas de sua existência, e contou também como a colaboração de várias outras entidades que, em momentos diversos, o orientaram e guiaram os seus trabalhos. No caso de Chico, estes espíritos sempre trabalharam com a supervisão de Emmanuel, que era o mentor e orientador de toda a sua vida mediúnica, com o qual havia traçado sua missão na terra.
A importância deles em nossa vida: “se que as vejais, perambulam em vosso meio, atuam em vossos atos, sem que vossos nervos visuais lhes registrem a presença. Edificante é observarmos o sacrifício de tantos seres envolvidos que se consagram a sagrados labores, no planeta das sombras, quais os da regeneração de individualidades obcecadas no mal, atirando-se com destemor a tarefas penosas, cheios de renúncia santificadora”. Analisando as palavras de Emmanuel entendemos que os mentores estão mais próximos de nós do que imaginamos e sua interferência em nosso dia a dia vai alem das orientações passadas através da intuição. Eles militam diretamente no plano material e usam este trânsito livre entre os dois planos para auxiliar melhor os seus protegidos. Um mentor sempre guiará seu pupilo nos caminhos certos e se afastará dele naqueles momentos em que o protegido se render as escolhas com as quais o espírito não comunga. Há neste caso, uma divergência de idéias, normalmente ligada aos prazeres inferiores. O mentor costuma se reaproximar do médium quando ele apresenta a vontade de retorna ao caminho certo.
Allan Kardec perguntou sobre a possibilidade de um espírito abandonar o trabalho junto ao médium que não segue as suas recomendações, obtém a seguinte resposta: “ele se afasta quando vê que seus conselhos são inúteis e a vontade de aceitar a influência dos Espíritos inferiores é mais forte no seu protegido. Mas não o abandona completamente e sempre se faz ouvir; é; porém, o homem quem fecha os ouvidos. O protetor volta logo que seja chamado.”

Anjos da Guarda

O anjo de guarda é um espírito protetor, que pertence a uma ordem elevada. Segundo a Doutrina Espírita, sua missão é acompanhar o ser encarnado e ajudá-lo nas suas provas evolutivas. Todos os homens encarnados contam com a proteção destes seres, e em qualquer momento é possível recorrer ao seu amparo, pois ele sempre estará disponível para ajudar.

Espíritos Protetores

Os espíritos protetores normalmente são familiares de alguém encarnado. São espíritos que tem por ele amor, fidelidade e compaixão. Estão em posição que lhes proporcione, mesmo que em determinados momentos, estar ao lado do encarnado lhe guiando, orientando e protegendo.
André Luiz, mostrando que os mentores espirituais reencarnam na terra para cumprirem suas missões junto à humanidade
“Com todo o apreço que lhes devemos, é preciso considerar que são vanguardeiros do progresso, sem serem infalíveis. São grandes almas em abençoado processo de sublimação, credoras de nossa reverência pelo grau de elevação que já conquistaram, contudo, são Espíritos ainda ligados á Humanidade terrena e em cujo seio se corporificarão, de novo, no futuro, através do instituto universal da reencarnação, para o desempenho de preciosas tarefas”

http://ensinamentosespiritais.blogspot.com.br/2011/10/mentor-espiritual-anjo-da-guarda-e.html

"Excessos do culto ao corpo"



Como uma mulher aferrada aos conceitos volúveis da vida poderia aceitar abdicar de tudo o que ela julga tão certo, tão indispensável, tão agradável ao seu estilo de viver, se não fosse obrigada a encarar a vida pela janela da enfermidade que dilacera os seus tolos princípios?

Não encontrando mais qualquer recurso para manter essa farsa da beleza indestrutível, é obrigada a buscar novas formas de viver, meditando na transitoriedade das coisas, sentindo-se mais vulnerável às ocorrências degeneradoras do corpo, observando que, de uma hora para outra, toda a base de seu mundinho de fantasias vai deixar de existir, que perderá os afetos que tem, se é que construiu algum durante o caminho de encantamento ególatra que escolheu trilhar.

Tudo isso é fator de reforma que se impõe pelas circunstâncias.

Quantas vezes essa mesma pessoa não escutou de algum amigo, de algum parente que a alertava, o chamamento sobre a necessidade de modificar a abordagem que dava à vida? Quantos não a aconselharam a mudar o teor de suas preocupações, a esquecer o mal que lhe tenham feito, a trabalhar no bem ajudando os que sofriam, a ser solidária com a necessidade alheia, empenhando um pouco de seus recursos na melhoria de outras vidas?

Quantos milhões de mulheres não se desgastam todos os dias no esforço da manutenção da beleza artificial? Seja nas cirurgias plásticas que a vaidade solicita, seja nos cremes, nos tratamentos, nas ações cosméticas da aparência, nas roupas, nos modismos? Já pensou, Rosimeire, quantos milhões vão para o ralo da inutilidade diariamente?

E não me refiro aos casos em que a estética natural, a manutenção da higiene e da boa aparência são consideradas expressões naturais e bem-vindas da auto-estima.

Certamente que Deus não criou a beleza para que ela fosse relegada a desprezível situação de algo sem valor, interditando às pessoas a possibilidade de buscá-la ou mesmo de preservá-la.

No entanto, as próprias pessoas passaram a cultuar o exterior de seus corpos como se estes amontoados de carne fossem verdadeiros deuses, ao mesmo tempo em que os meios de comunicação fazem muitas mulheres viverem baseadas em estereótipos que devem ser impostos, imitados, seguidos cegamente, como maneira de copiar aquilo que alguns manipuladores dizem ser a beleza ideal.

Tudo isto acontece pelo despreparo espiritual, pelo adormecimento da pessoa em relação à sua própria essência. E neste caso, posso lhe afirmar sem qualquer medo de equívoco: Somente o recurso drástico da dor que nós produzimos em nós mesmos nos facilita esse despertamento.

Livro Esculpindo o Próprio Destino, cap. 24, Espírito Lúcius – psicografia de André Luiz Ruiz.



http://precedeluz.com.br/wordpress/2014/primitivismo-humano/excessos-do-culto-ao-corpo/

A possessão, segundo Kardec




“Importa que cada coisa venha a seu tempo. A verdade é como a luz; o homem precisa habituar-se a ela pouco a pouco, do contrário fica deslumbrado.” (Allan Kardec)

Há possessos? Existe a possibilidade de dois Espíritos coabitarem num mesmo corpo? O mergulho cronológico nas obras da Doutrina Espírita nos leva ao seu berço, “O Livro dos Espíritos”:

1857

Questão 473 - Pode um Espírito tomar temporariamente o invólucro corporal de uma pessoa viva, isto é introduzir-se num corpo animado e obrar em lugar do outro que se acha encarnado nesse corpo?

– O Espírito não entra em um corpo como entrais numa casa. Identifica-se com um Espírito encarnado, cujos defeitos e qualidades sejam os mesmos que os seus, a fim de obrar conjuntamente com ele. Mas, o encarnado é sempre quem atua, conforme quer, sobre a matéria de que se acha revestido. Um Espírito não pode substituir-se ao que está encarnado, por isso que este terá que permanecer ligado ao seu corpo até ao termo fixado para sua existência material. (1)

Kardec retira suas conclusões, prepara e formula a pergunta seguinte, e os Espíritos respondem:

Questão 474 - Desde que não há possessão propriamente dita, isto é, coabitação de dois Espíritos no mesmo corpo, pode a alma ficar na dependência de outro Espírito, de modo a se achar subjugada ou obsidiada ao ponto de sua vontade vir a achar-se, de certa maneira, paralisada?

– Sem dúvida e são esses os verdadeiros possessos. Mas é preciso saibais que essa denominação não se efetua nunca sem que aquele que sofre o consinta, quer por sua fraqueza, quer por desejá-la. Muitos epilépticos ou loucos, que mais necessitam de médico que de exorcismos, têm sido tomados por possessos.

Os Espíritos, aí, fazem uma nítida distinção entre os verdadeiros e os falsos possessos.

Os verdadeiros são os subjugados até ao ponto de sua vontade vir a achar-se, de certa maneira, paralisada; os falsos são os que não correspondem aos casos de obsessão, necessitando tratamento médico.

Comenta ainda Kardec, após a resposta dos Espíritos:

“O termo possesso só se deve admitir como exprimindo a dependência absoluta em que uma alma pode achar-se a Espíritos imperfeitos que a subjuguem.”

1858

Se havia alguma dúvida sobre a opinião do Codificador até aquele momento, ele a desfaz no texto da Revista Espírita, por ele dirigida: (2)

“Antigamente dava-se o nome de possessão ao império exercido pelos maus Espíritos, quando sua influência ia até a aberração das faculdades. Mas a ignorância e os preconceitos, muitas vezes, tomaram como possessão, aquilo que não passava de um estado patológico. Para nós, a possessão seria sinônimo de subjugação. Não adotamos esse termo (...) porque ele implica igualmente a idéia de tomada de posse do corpo pelo Espírito estranho, uma espécie de coabitação ao passo que existe apenas uma ligação. O vocábulo subjugação da uma idéia perfeita. Assim, para nós, não há possessos, no sentido vulgar da palavra; há simplesmente obsedados, subjugados e fascinados.”

Fica bastante claro que, para ele, até aqui, não existia possessão.

1861

O texto acima é parecido com o exarado no “O Livro dos Médiuns” (3), com uma diferença significativa no parágrafo, qual seja, a troca da palavra “ligação”, por “constrangimento”.

1862

Momentaneamente, temos a impressão de que estariam respondidas as indagações formuladas na inicial, mas, apesar dessas considerações, o termo possessão reaparece na Revista Espírita: (4)

“Ninguém ignora que quando o Cristo, nosso muito amado mestre, encarnou-se na Judéia, sob os traços do carpinteiro Jesus, aquela região havia sido invadida por legiões de maus Espíritos que, pela possessão, como hoje, se apoderavam das classes sociais mais ignorantes, dos Espíritos encarnados mais fracos e menos adiantados (...) é preciso lembrar que os cientistas, os médicos do século de Augusto, trataram, conforme os processos hipocráticos, os infelizes possessos da Palestina e que toda sua ciência esbarrou ante esse poder desconhecido. (Erasto)”

Na mesma revista e no mesmo ano, (5) Kardec, nos “Estudos sobre os Possessos de Morzine”, acrescenta a seguinte consideração:

“O paroxismo da subjugação é geralmente chamado de possessão.”

1863

A retomada do termo tinha uma razão, e Kardec é bem incisivo na sua opinião na Revista Espírita, sobre os mesmos Possessos de Morzine, que certamente o impressionaram e influíram na mudança de sua conceituação sobre possessão, e valeram doze citações no índice remissivo da Revista Espírita (1862, 63, 64, 65 e 68), além de outros estudos, na mesma revista, como, por exemplo, quando analisa “Um Caso de Possessão”. (6) (7) Senão vejamos:

“Temos dito que não havia possessos, no sentido vulgar do vocábulo, mas subjugados. Voltamos a esta asserção absoluta, porque agora nos é demonstrado que pode haver verdadeira possessão, isto é, substituição, posto que parcial, de um Espírito errante a um encarnado.(...) Não vendo senão o efeito, e não remontando à causa, eis por que todos os obsedados, subjugados e possessos passam por loucos (...). Eis um primeiro fato, que o prova, e apresenta o fenômeno em toda a sua simplicidade. (...)”

(O Sr. Charles) Declarou que, querendo conversar com seu velho amigo, aproveitava o momento em que o Espírito da Sra. A..., a sonâmbula, estava afastado do corpo, para tomar-lhe o lugar. (....). Eis algumas de suas respostas.

– Já que tomastes posse do corpo da Sra.A... poderíeis nele ficar ?

– Não; mas vontade não me falta.

– Por que não podeis ?

– Porque seu Espírito está sempre ligado ao seu corpo. Ah! Se eu pudesse romper esse laço eu pregaria uma peça.

– Que faz durante este tempo o Espírito da Sra. A....

– Está aqui ao meu lado; olha-me e ri, vendo-me em suas vestes.

O Sr. Charles (...) era pouco adiantado como Espírito, mas naturalmente bom e benevolente. Apoderando-se do corpo da Sra. A... não tinha qualquer intenção má; assim aquela Sra. nada sofria com a situação, a que se prestava de boa vontade.

Aqui a possessão é evidente e ressalta ainda melhor dos detalhes, que seria longo enumerar. Mas é uma possessão inocente e sem inconvenientes.

Na mesma página, no entanto, Kardec descreve um caso de possessão da Sra. Júlia, agora dirigida por um Espírito malévolo e mal intencionado.

Há cerca de seis meses tornou-se presa de crises de um caráter estranho, que sempre corriam no estado sonambúlico, que, de certo modo, se tornara seu estado normal. Torcia-se, rolava pelo chão, como se se debatesse, em luta com alguém que a quisesse estrangular e, com efeito, apresentava todos os sintomas de estrangulamento.

Acabava vencendo esse ser fantástico, tomava-o pelos cabelos, derrubava-o a sopapos, com injúrias e imprecações, apostrofando-o incessantemente com o nome de Fredegunda, infame regente, rainha impudica, criatura vil e manchada por todos os crimes, etc. Pisoteava como se acalcasse aos pés com raiva, arrancando-lhe as vestes. Coisa bizarra, tomando-se ela própria por Fredegunda, dando em si própria redobrados golpes nos braços, no peito, no rosto, dizendo: “Toma! Toma! É bastante, infame Fredegunda? Queres me sufocar, mas não o conseguirás; queres meter-se em minha caixa, mas eu te expulsarei.” Minha caixa era o termo que se servia para designar o próprio corpo.(...)

Um dia, para livrar-se de sua adversária, tomou de uma faca e vibrou contra si mesma, mas foi socorrida a tempo de evitar-se um acidente.

Vemos, aí, a luta de dois Espíritos pelo mesmo corpo. Este Espírito, Fredegunda, foi posteriormente evocado em sessões mediúnicas e convertido ao bem. (8)

Mas, voltando aos Possessos de Morzine, (9) diz Kardec referindo-se ao perispírito:

“Pela natureza fluídica e expansiva do perispírito, o Espírito atinge o indivíduo sobre o qual quer agir, rodeia-o, envolve-o, penetra-o e o magnetiza. (...) Como se vê, isto é inteiramente independente da faculdade mediúnica (...)”

Estes últimos, sobretudo (os possessos do tempo de Cristo), apresentam notável analogia com os de Morzine.

Na mesma revista e no mesmo ano, selecionamos e pinçamos, para dimensionarmos a extensão daquela possessão coletiva: (10)

“Os primeiros casos da epidemia de Morzine se declararam em março de 1857 (...) e em 1861 atingiram o máximo de 120. (...)

(...) o caráter dominante destes momentos terríveis é o ódio a Deus e a tudo quanto a ele se refere.”

1864

Ainda sobre a possessão da Sra. Júlia (12), refere-se Kardec na Revista Espírita, (11):

“No artigo anterior (1863) descrevemos a triste situação dessa moça e as circunstâncias que provavam uma verdadeira possessão.”

O grau de intensidade das possessões e sua reatividade a tentativa de exorcização, vai bem descrita na Revista Espírita: (12)

“Desde que o bispo pisou em terras de Morzine”, diz uma testemunha ocular, “sentindo que ele se aproximava, os possessos foram tomados de convulsões as mais violentas; e (...) soltavam gritos e urros, que nada tinham de humano. (...)

As possessas, cerca de setenta, com um único rapaz, juravam, rugiam, saltavam em todos os sentidos. (...) A última resistiu a todos os esforços; vencido de fadiga e de emoção, ele (o bispo) teve que renunciar a lhe impor as mãos; saiu da igreja trêmulo, desequilibrado, as pernas cheias de contusões recebidas das possessas, enquanto estas se agitavam sob suas benções.” (...)

Encontramos no Evangelho segundo o Espiritismo (13) a seguinte referência sobre possessão e reforma íntima:

“(...) para isentá-lo da obsessão, é preciso fortificar a alma, pelo que necessário se torna que o obsidiado trabalhe pela sua própria melhoria, o que as mais das vezes basta para se livrar do obsessor, sem recorrer a terceiros. O auxílio destes se faz indispensável, quando a obsessão degenera em subjugação e em possessão, porque aí não raro o paciente perde a vontade e o livre arbítrio.”

No mesmo livro (14), há considerações sobre as causas da possessão:

“O Espírito mau espera que o outro, a quem ele quer mal, esteja preso ao seu corpo e assim, menos livre, para mais facilmente o atormentar, ferir nos seus interesses, ou nas suas mais caras afeições.

Nesse fato reside a causa da maioria dos casos de obsessão, sobretudo dos que apresentam certa gravidade, quais os de subjugação e possessão.”

1867

Ainda na Revista Espírita (15) encontramos informações de como é esta perda do livre arbítrio e como impedi-la:

“Objetar-me-eis, talvez, que nos casos de obsessão, de possessão, o aniquilamento do livre arbítrio parece ser completo. Haveria muito a dizer sobre esta questão porque a ação aniquiladora se faz mais sobre as forças vitais materiais do que sobre o Espírito, que pode achar-se paralisado, dominado e impotente para resistir, mas cujo pensamento jamais é aniquilado, como foi possível constatar em muitas ocasiões. (...)

Procedeis em relação aos Espíritos obsessores ou inferiores que desejais moralizar (...) algumas vezes conscientemente, quando estabeleceis, em torno deles uma toalha fluídica, que eles não podem penetrar sem vossa permissão, e agis sobre eles pela força moral, que não é outra coisa senão uma ação magnética quintessenciada.”

1868

Em “A Gênese”, (16) Kardec disserta sobre domicílio espiritual, típico caso de coabitação, ou como agora quer Hermínio Miranda, “condomínio espiritual, com síndico e convenção”.

“Na possessão, em vez de agir exteriormente, o Espírito atuante se substitui, por assim dizer, ao Espírito encarnado, tomando-lhe o corpo por domicílio, sem que este, no entanto, seja abandonado por seu dono, pois que isso só se pode dar pela morte. A possessão, conseguintemente, é sempre temporária e intermitente, porque um Espírito desencarnado não pode tomar definitivamente o lugar de um encarnado, pela razão que a união molecular do perispírito e do corpo só se pode operar no momento da concepção.

De posse momentânea do corpo do encarnado, o Espírito serve-se dele como se seu próprio fora: fala pela sua boca, vê pelos seus olhos, opera com seus braços conforme o faria se estivesse vivo. Não é como na mediunidade falante, em que o Espírito encarnado fala transmitindo pensamento de um desencarnado; no caso da possessão é mesmo o último que fala e obra (...)”

“Na obsessão há sempre um Espírito malfeitor. Na possessão pode tratar-se de um Espírito bom que queira falar e que, para causar maior impressão nos ouvintes, toma do corpo de um encarnado, que voluntariamente lho empresta, como emprestaria seu fato a outro encarnado.”

“Quando é mau o Espírito possessor, (...) ele não toma moderadamente o corpo do encarnado, arrebata-o (...)”

Seguindo ainda, no mesmo livro:

“Parece que ao tempo de Jesus, eram em grande número, na Judéia, os obsidiados e os possessos (...) Sem dúvida, os Espíritos maus haviam invadido aquele país e causado uma epidemia de possessões.” (17)

Com as curas, as libertações do possessos figuram entre os mais numerosos atos de Jesus.(...) “Se eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, é que o reino de Deus veio até vós.” (S. Mateus, cap. XII, 22 e 23) (18)

Deduzimos com base no exposto que, para que exista possessão, é preciso que o Espírito obsessor identifique-se com o Espírito encarnado; aquele atinge o indivíduo sobre o qual quer agir, rodeia-o, envolve-o, penetra-o e o magnetiza; o aniquilamento do livre arbítrio parece ser completo, porque a ação aniquiladora se faz mais sobre as forças vitais materiais do que sobre o Espírito, que pode achar-se paralisado, dominado e impotente para resistir, mas cujo pensamento jamais é aniquilado, pois o encarnado é que atua conforme quer, sobre a matéria de que se acha revestido e portanto aquela dominação não se efetua nunca sem que aquele que a sofre o consinta, quer por sua fraqueza, quer por desejá-la; em vez de agir exteriormente ao Espírito encarnado, toma-lhe o corpo por domicílio, sem que este, no entanto, seja abandonado por seu dono, pois isso só se pode dar pela morte, por isso, a possessão é sempre momentânea, temporária e intermitente. Para se libertar da possessão, é preciso fortificar a alma, pelo que necessário se torna que o obsidiado trabalhe para sua própria melhoria, estabelecendo em torno de si uma toalha fluídica, que eles não possam penetrar sem sua permissão, agindo sobre eles pela força moral, por uma ação magnética quintessenciada. Na possessão isto só é possível, com a ajuda indispensável de terceiros.

Portanto, respondendo às indagações iniciais deste trabalho, podemos dizer que Kardec analisou todas as facetas e prismas da possessão e concluiu que existe possessão e também coabitação.

Uma obra, como a da Codificação Espírita, é indivisível e portanto deve ser analisada como um todo, jamais devendo ser fragmentada ou dividida, na análise de seu conteúdo; existem vários temas, nas obras básicas (O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo O Espiritismo, A Gênese, O Céu e o Inferno) e na Revista Espírita, em que as verdades foram estudadas à luz dos conhecimentos adquiridos no dia-a-dia e suas opiniões, às vezes alteradas, sem que correspondessem a uma mudança de idéia, mas, sim, a uma evolução de verdade em verdade, degrau a degrau na escada ascensional do conhecimento, como convém a um cientista sábio, astuto, inteligente, honesto e, antes de tudo, humilde, coisa rara, aliás.

A fé raciocinada sob a égide desta humildade, aconselhada e praticada pelo mestre lionês, levou-o à busca incessante da verdade, que sempre caracterizou suas ações, a correta elucidação conceptual de possessão, incitando-nos também a libertarmo-nos de duas outras, a dos dogmas e a do fanatismo.

Tenhamos igual têmpera e nos deixemos contaminar pela sua lição e pelo seu exemplo; a lição inclina, o exemplo arrasta.

Bibliografia:

(1) KARDEC, Allan . O Livro dos Espíritos, ed. FEB, 1987, perg. 473, pg. 250.
(2) Revista Espírita , 1858, pg. 278.
(3) KARDEC, Allan . O Livro dos Médiuns, ed. FEB, 1982 , item 240, pg. 300.
(4) Revista Espírita, 1862, pg. 109.
(5) Idem , 1862, pg. 359.
(6) Idem , 1863, pg. 373.
(7) KARDEC, Allan . Obsessão, ed. “O Clarim”, 1993, pg. 225.
(8) Idem , pg. 229.
(9) Revista Espírita, 1863 pg. 01.
(10) Idem, 1863, pg. 103.
(11) Idem, 1864, pg. 11.
(12) Idem, 1864, pg.225.
(13) KARDEC, Allan . O Evangelho Segundo o Espiritismo, ed. FEB, 1995, pg. 432.
(14) Idem, pg. 171.
(15) Revista Espírita, 1867, pg. 192.
(16) KARDEC, Allan . A Gênese, ed. FEB, 1980, pg. 306.
(17) Idem, pg. 330.
(18) Idem, pg. 329.

"Espiritismo e a inveja"



O Espiritismo atribui à inveja muitos dos grandes tormentos morais. O Livro dos Espíritos trata do tem nas questões 926 e 933.

Você se acha vítima de inveja? Você tem a impressão de que as pessoas cuidam da sua vida, que elas estão de olho em você, cheias de ciúme, torcendo contra? Não há como negar que há pessoas invejosas em todos os lugares, e não dá pra negar a força maléfica do pensamento deinveja.

Mas na maior parte das vezes, na esmagadora maioria das vezes, as pessoas não estão assim tão interessadas na sua vida. Poucas pessoas têm tempo disponível pra ficar cuidando da vida dos outros, acompanhando seus passos e desejando o mal.

Se você não tem esse receio de ser invejado, se você não se sente perseguido de alguma forma por maus pensamentos, provavelmente conhece alguém que seja assim. Isso é mania de perseguição. Em casos mais graves, denota sintomas esquizofrênicos.

Não somos assim tão importantes (eu, pelo menos, não sou) a ponto de chamar a atenção dos invejosos para a nossa vida. Será que quem se sente vitimado pela inveja não está imaginando coisas? Será que não é sua própria cabeça cheia de maus pensamentos que está perdendo o controle?

Nós só somos capazes de perceber com clareza aquilo que conhecemos. Será que não é a própria pessoa que teme a inveja alheia a que mais sente inveja? Eu apostaria que sim. De qualquer modo, a inveja existe. O pensamento de inveja é dos mais fortes, graças ao seu continuísmo. Diferente de outros pensamentos, que precisam ser constantemente alimentados, como a raiva ou a cobiça sexual, a inveja, por nascer do mais íntimo do ser, forma pensamentos contínuos, lineares.

Você já ouvir falar do olhar de secar pimenteira? Pois é. Mas devemos lembrar que bons pensamentos e boa conduta nos tornam praticamente imunes a qualquer má intenção direcionada a nós. É o mesmo caso da obsessão. Com raras exceções, só é obsediado quem não policia suficientemente seus pensamentos, quem não dirige adequadamente sua conduta, quem não controla eficientemente seu comportamento.

A maioria dos espíritos desencarnados a que chamamos “obsessores” é atraída por nós graças às nossas próprias falhas de caráter, é atraída por nossos vícios e pensamentos baixos. Semelhante atrai semelhante, lembra?

Jesus nos deu um conselho simples e sucinto: “Orai e vigiai”. Manter o pensamento elevado e cuidar a conduta. Pra isso temos a consciência; pra exercer o controle sobre nossos pensamentos, palavras e ações. Não é coisa muito fácil de se fazer, mas é possível. E se é possível, só depende de nós…

Em relação à inveja vale a mesma regra. Aliás, uma pessoas que sente inveja pertinaz de alguém também é uma obsessora. O melhor a fazer é não se deixar contaminar pelo receio. Não importa se alguém sente inveja de você ou não. Você deve cuidar é de você mesmo, de seus sentimentos e atitudes; o que os outros pensam ou sentem é problema deles.

Mas quando desconfiar que está sendo vítima de inveja, pergunte a si mesmo se não é você que está descontente consigo mesmo e está procurando subterfúgios para seus fracassos. Isso é mais comum do que se pensa…



http://www.espiritoimortal.com.br/tag/inveja-na-visao-espirita/

Como Diferenciar Delírios e Alucinações – Fenômenos Mediúnicos




Associação Médico-Espírita de Minas Gerais

Dr. Roberto Lúcio Vieira de Souza

Médico-Psiquiatra – Vice-Presidente da Ame-Brasil

Na prática diária, tanto profissional quanto doutrinária, é constante a questão dos fenômenos psicopatológicos ligados às áreas do pensamento (delírios) e da senso-percepção (alucinações), assim como dos fenômenos mediúnicos, (em especial, os chamados inteligentes, a psicofonia, o desdobramento, a vidência e a audiência), exigindo melhores estudos e reflexões para evitar as confusões que resultam incorretas indicações terapêuticas.

Allan Kardec, em “O Livro dos Espíritos”, já apresentava o posicionamento dos orientadores espirituais sobre essa confusão, em que se misturam quadros patológicos e manifestações espíritas, no item sobre “os possessos” – parte 2ª, cap IX, pergunta 474: “Muitos epilépticos ou loucos, que mais necessitavam de médico que de exorcismos, têm sido tomados por possessos”.

Com o desenvolvimento das neurociências e o retorno da ocupação com o tema espiritualidade, muitos trabalhos surgiram, questionando a realidade dos fenômenos mediúnicos e como eles ocorreriam na fisiologia cerebral. Existem, hoje, vários estudiosos sérios que acreditam que os temas que envolvem ciência e fé não se excluem e que é preciso voltar-se para a compreensão de tudo isso, de forma a ampliar o que seja a Verdade. Dr Francis S Collins, na introdução de seu best-seller “A Linguagem de Deus”, afirma que “este livro tem por objetivo disseminar esse conceito, argumentando que a crença em Deus pode ser uma opção completamente racional e que os princípios de fé são, na verdade, complementares aos da ciência”. (págs 11-12 – 1ª ed 2007).

O objetivo deste trabalho é demonstrar a existência desses fenômenos diante das evidências dos fatos, da necessidade de diferenciá-los, de modo a oferecer o devido tratamento a um e a outro, tanto dentro das possibilidades das ciências tradicionais, quanto da ciência espírita.

Um dos mais importantes aspectos desta discussão é a argumentação, existente desde antes do surgimento do Espiritismo, de que as crenças religiosas e suas manifestações seriam causa do surgimento ou do agravamento dos quadros de loucura; e que os rituais religiosos seriam refúgio para aquelas atuações, que os fenômenos apresentados e relatados seriam fruto da imaginação doentia dos seus autores e observadores.

Kardec, de maneira brilhante e racional, argumenta contra essa acusação em “O Livro dos Médiuns”, em sua primeira parte, no capítulo IV. Ali ele afirma: “Todas as idéias sempre tiveram fanáticos exagerados e é preciso se seja dotado de muito obtuso juízo, para confundir a exageração de uma coisa com a coisa mesma”. Mais à frente, o Codificador argumenta: “É fora de dúvida que uma causa fisiológica bem conhecida pode fazer que uma pessoa julgue ver em movimento um objeto que não se moveu, ou que suponha estar ela própria a mover-se, quando permanece imóvel. Mas quando, rodeando uma mesa, muitas pessoas a vêem arrastada por um movimento tão rápido que difícil se lhes fora acompanhá-la, ou que mesmo deita algumas delas no chão, poder-se-á dizer que todas se acham tomadas de vertigem, como o bêbado, que acredita estar vendo a casa em que mora passar-lhe por diante dos olhos?”



Sobre o Pensamento e a Vida Mental



Entender o que verdadeiramente é a mente e, por conseqüência, a consciência faz-se hoje o maior desafio da ciência. Temos entre os estudiosos dois grandes grupos. De um lado, estão os pesquisadores materialistas mecanicistas que acreditam que, quando for determinado todo o mapeamento cerebral e elucidados cada componente, função e interações, que esta descrição será capaz de dizer tudo sobre a natureza e a experiência humanas. No outro pólo estão os que crêem que esta visão reducionista jamais capacitará o homem a entender integralmente os sentimentos, as motivações profundas dos comportamentos e muito menos será capaz de explicar o produto mais fenomenal da vida: a consciência, propriedade particular da criatura humana, por esta compreensão transcender o nível da matéria.

Existem duas grandes correntes de pensamento no que concerne ao que seja a consciência (e por conseqüência a mente). Para o primeiro, a mente é o produto da atividade cerebral, uma propriedade do mundo físico, que pode ser explorada e, com o desenvolvimento das pesquisas, compreendida. O segundo acredita que a mente transcende a questão material. Neste grupo se sobrepõem as idéias do dualismo cartesiano – corpo/espírito.

Na busca desta compreensão surgem inúmeras dúvidas, as quais direcionam muitas pesquisas atuais. A jornalista Rita Carter assim se refere sobre elas em seu livro: “O Livro de Ouro da Mente”: “Ela [a mente] tem um propósito ou é apenas um subproduto da complexidade neural? É um córrego único e contínuo ou aquela sensação de continuidade e unidade é uma ilusão? Se fosse possível remover o conteúdo informativo de um cérebro vivente e mantê-lo separado de seu corpo – fazendo, talvez, um download dele para um disquete -, a consciência iria com ele? E, em caso afirmativo, onde exatamente ela estaria? De quais bytes de dados você poderia prescindir ao colocar vovô em off-line e ainda ter a certeza de que ele é capaz de desfrutar sua existência virtual?”.

Podem-se resumir os resultados já encontrados sobre o assunto, afirmando que as idéias são criadas nos lobos frontais. Nesta região são construídos os planos, reunidos os pensamentos, ocorrem as associações, formando novas memórias, e as percepções são armazenadas para posteriormente ser enviadas para as áreas que constroem a memória de longo prazo ou para o esquecimento. Para os que realizaram esses estudos, a região frontal do cérebro é o lar da consciência, pois nela reside o autoconhecimento e as emoções são processadas. Tais estudos vêm corroborar as idéias místicas tradicionais que já pregavam tais ensinamentos, colocando o terceiro olho nessa região.

Amit Goswami, no livro “O Universo Autoconsciente”, afirma: “A consciência é o que o torna o ser único que você é, diferente de sua amada e de qualquer outra pessoa, e que reage de forma particular ao presente”. Em sua teoria, o autor afirma que a consciência se reveste de quatro aspectos diferentes: o campo da consciência, que ele chama de percepção; os objetos da consciência, tais como o pensamento e os sentimentos; o sujeito da consciência ou experimentador; e a consciência como fundamento de todo o ser.

O Espiritismo entende que a consciência é um dos atributos fundamentais do Espírito.

Na pergunta de nº 621, de “O Livro dos Espíritos”, Kardec pergunta aos orientadores espirituais “Onde está escrita a lei de Deus?”, ao que eles respondem: “Na consciência”. Entretanto, naquela obra não há um maior esclarecimento sobre o que seja a consciência e de que forma ela possa fornecer recursos para a compreensão do que seja a mente.

No livro “O Problema do Ser, do Destino e da Dor” o célebre escritor Léon Denis assim se expressa:

“A consciência é, pois, como diria William James, o centro da personalidade, centro permanente, indestrutível, que persiste e se mantém através de todas as transformações do indivíduo. A consciência é não somente a faculdade de perceber, mas também o sentimento que temos de viver, agir, pensar, querer. É una e indivisível. A pluralidade de seus estados nada prova, como vimos, contra a sua unidade. Aqueles estados são sucessivos, como as percepções correlativas, e não simultâneos.

“Todavia, a consciência apresenta, em sua unidade, como sabemos, vários planos, vários aspectos. Física, confunde-se com o que a Ciência chama de ‘sensorium’, isto é, a faculdade de concentrar as sensações externas, coordená-las, defini-las, perceber-lhes as causas e determinar-lhes os efeitos. Pouco a pouco, pelo próprio fato da evolução, essas sensações vão-se multiplicando e apurando, e a consciência intelectual acorda. Daí em diante não terá limites seus desenvolvimentos, pois que poderá abraçar todas as manifestações da vida infinita”.

A codificação espírita não traz especificamente uma definição do que seja a mente.

O espírito Emmanuel, no livro “Pensamento e Vida”, define a mente como “o campo da nossa consciência desperta, na faixa evolutiva em que o conhecimento adquirido nos permite operar”.

Segundo o espírito André Luiz, em sua obra “Evolução em dois mundos”, o corpo mental é o envoltório sutil da mente. Haveria também uma estrutura fisiológica correlacionada com a sede da mente no campo físico, correspondente ao chamado centro coronário, que estaria instalada na região central do cérebro, que assimilaria os estímulos do Plano Superior e orientaria “a forma, o movimento, a estabilidade, o metabolismo orgânico e a vida consciencial da alma encarnada ou desencarnada”.

Através das informações de André Luiz, a área que hoje é considerada responsável pela a atividade consciencial do espírito, no campo cerebral, estaria afeta ao comando do centro cerebral. Ela estaria contígua ao coronário, com influência decisiva sobre as demais. Ela governaria “o córtex encefálico na sustentação dos sentidos, marcando a atividade das glândulas endócrinas e administrando o sistema nervoso, em toda a sua organização, coordenação, atividade e mecanismo”.

Tentando entender o mecanismo de integração cérebro-mente, Dr. Décio Iandoli apresenta essas inteligentes percepções, no seu livro “Fisiologia Transdimensional”:

“O centro coronário e o centro cerebral (frontal) trabalham em sintonia e sincronia no gerenciamento e encaminhamento das ‘ordens’ do princípio inteligente, cumprindo sua função de interface físico-etérica no seu plano mais superior e sutil.

“Se recordarmos a ligação do centro coronário à glândula pineal e do centro frontal à hipófise, facilmente entendemos essa relação funcional e seus mecanismos, já que a primeira subjuga, a partir dos centros hipotalâmicos, as respostas hipofisárias, que secretam seus diversos hormônios com ação geral e específica sobre os vários compartimentos orgânicos, como já explanado no capítulo da endocrinologia.

“Por este sistema, verte o ‘fluido mental’, secreção da mente e não do cérebro, que se difunde pelos caminhos neurais a todo o córtex (via glândula pineal) e, posteriormente, a todo o corpo biológico, por ação glandular e neural eferente”.



O Pensamento

Para os estudiosos vinculados às escolas mecanicistas, que conceberam o cérebro como uma máquina complexa, dotada de estados internos, o pensamento seria um desses estados semelhantes aos sentimentos. As diversas justaposições desses estados, produzidas pela ação de um estímulo específico, provocariam as mais variadas possibilidades de atuação humana; o livre-arbítrio, nessa teoria, seria uma simples ilusão.

As informações da jornalista Rita Carter, no livro já anteriormente citado, faz entender a mecânica do pensamento dentro da moderna visão da neurociência:

“Pensar não é apenas um termo genérico para o conjunto de aptidões abrigadas no cérebro. Envolve muitas delas: recordar e imaginar, em particular. Mas inclui algo que não faz parte de nenhuma outra função: o autoconhecimento. Tal aspecto do pensamento é capturado na palavra que é muitas vezes usada paro o descrever: reflexão.

“O processamento de pensamentos é de uma certa maneira como os estágios posteriores do processamento sensorial. Assim como as várias partes de uma imagem – local, cor, formato, tamanho e assim por diante – são reunidas e integradas num todo, também nós reunimos diversas memórias e imagens e as colocamos juntas para criar um novo conceito. A grande diferença é que, enquanto a construção sensorial é inconsciente, o processamento de pensamentos é feito conscientemente. Quando o córtex frontal realiza suas tarefas, ele monitora o que está fazendo. Portanto, enquanto uma imagem simplesmente ‘chega à consciência, um conceito traz consigo o conhecimento de como veio a ser’”.

Segundo os estudos mais recentes, o pensamento, nos seus aspectos práticos, que são a manutenção de idéias e a suas manipulação, ocorrem em uma região do córtex pré-frontal dorsolateral (lado superior), que é também a região da chamada memória operacional. Nesta área são feitos os planejamentos e as escolhas das várias ações possíveis da criatura.

Dentro da abordagem espírita, o pensamento é um atributo do espírito (“O Livro dos Espíritos”, perg 89), sendo, portanto, uma ação da própria essência do ser.

Ainda do ponto de vista espiritista, o pensamento é um tipo de matéria formada por partículas de características próprias, modificando-se de conformidade com a sua individualidade, quantidade, tipo, qualidade e aplicação. É responsável pela psicosfera que envolve o espírito, interferindo no corpo físico. Portanto, teria uma expressão mais material do que se consegue perceber, sendo o agente criador de uma dimensão diferente da que trata a Física, expressando ao redor da criatura aquilo que habita em sua intimidade.

Essas partículas são manipuláveis e, de acordo com a inteligência que as conduz, podem se comportar e se direcionar de formas diversas.

O pensamento se encontra sujeito à vontade daquele que o origina. André Luiz, no livro “Evolução em Dois Mundos”, afirma:

“A partícula do pensamento, embora viva e poderosa na composição em que se derrama do espírito que a produz, é igualmente passiva perante o sentimento que lhe dá forma e natureza para o bem e o mal”.

O pensamento emitido pode vibrar em diferentes faixas, dependendo do sentimento que o gerou. Os de vibrações mais elevadas são de alta freqüência, mais etéricos, energéticos, de pequeno comprimento de onda e são originários de sentimentos derivados do amor verdadeiro, produzindo criações de expressão superior. Os de baixo padrão vibratório são mais densos, com menor teor de energia, de grande comprimento de onda e estão ligados aos sentimentos vinculados aos vícios e à matéria, presentes na maioria dos encarnados e daqueles que, desencarnados, comungam dessa esfera, mantendo uma realidade mais sombria e, provavelmente ligada ao surgimento das chamadas formas alucinatórias, observadas pelos portadores de transtornos mentais.

Segundo os estudos da Teosofia, os pensamentos criam uma série de vibrações na substância do corpo mental. Este, por sua vez, exterioriza uma fração de si mesmo, o qual vai atrair, no meio etéreo, substâncias semelhantes a si.

Quando emitem pensamentos, as estruturas sutis do espírito, em especial o corpo mental, utilizam forças, as quais demandam maior ou menor esforço, segundo as suas naturezas mais intrínsecas, produzindo resíduos de partículas mentais. Esses resíduos vão atuar tanto no próprio perispírito quanto no ambiente e nas individualidades que o sentirem. Se eles são de maior densidade, portanto, vinculados às questões mais materiais apresentarão resíduos mais tóxicos, provocando alterações ao nível do perispírito ou materializando formas-pensamentos que, pela sua inferioridade, atingirão as estruturas mais densificadas do próprio espírito ou de terceiros sintonizados com os mesmos princípios morais.

Os pensamentos de alto teor vibratório, por sua leveza e superioridade, atuam como higienizadores, causando harmonização, podendo levar à renovação do próprio perispírito, reestruturando-lhe as áreas comprometidas, proporcionando maior estado de saúde e sentimento de bem-estar.

Do surgimento dos delírios e alucinações



Sabe-se hoje que as atividades cerebrais são reguladas pelos neurotransmissores, que são substâncias químicas secretadas pelos neurônios, os quais funcionam em locais específicos e que podem apresentar efeitos diferentes, conforme a região ativada. Já foram identificados aproximadamente cinqüenta deles, mas, certamente, eles são muito mais.

Entre os mais importantes, encontra-se a dopamina, que controla os graus de excitação de várias regiões cerebrais. Os níveis elevados deste neurotransmissor parecem estar associados ao surgimento da esquizofrenia e dos processos alucinatórios e delirantes.

Uma das observações importantes dos estudiosos é a de que o cérebro não vê, ouve ou sente o mundo exterior. Na verdade, ele constrói respostas aos estímulos aos quais é submetido. Estes levam o cérebro a criar uma imagem, como no caso das ondas luminosas que após se chocarem com objetos, atingem os neurônios sensíveis à luz no olho, que está de acordo com as informações recebidas. No entanto, o cérebro pode fazer uma leitura errônea do estimulo captado ou gerar estímulos próprios, os quais seriam interpretados como exteriores a ele. Estas situações gerariam no primeiro caso as ilusões e no segundo, as alucinações.

Acredita-se que alucinação, imaginação, percepção ou identificação teriam as mesmas bases anatômicas e neuroquímicas. Numa varredura cerebral, o que se identifica são as mesmas atividades e nas mesmas áreas cerebrais, tanto no caso da percepção de um objeto externo ou no simples fato de imaginá-lo. No entanto, a ativação na presença do objeto seria maior do que no caso da imaginação.

No caso do relato de visões de “assombrações”, segundo os estudiosos, o que diferiria é o fato de a inconsciência do observador gerar tais percepções, mas não uma mudança do mecanismo cerebral de percepção.

Buscando compreender as alucinações, neurocientistas acreditam que elas podem ser entendidas como experiências sensoriais geradas automaticamente e de forma intensa, oriundas de um mecanismo disfuncional do indivíduo.

C. D.Frich publicou um trabalho na revista “The Lancet”, em 1995, em que afirma que as vozes escutadas pelos esquizofrênicos são a sua própria voz, geradas numa parte diferente do cérebro, que não o centro da fala, provocando um input auditivo em outra região cerebral.Nas pessoas normais isso não aconteceria, pois haveria um monitoramento de todo o cérebro, evitando que a fala pessoal fosse confundida com vozes externas.

O sistema que possibilita a diferenciação entre estímulos internos e externos pode ser alterado nas chamadas pessoas normais, como no caso de luto intenso, quando essas criaturas relatam ter escutado a voz do morto.

No livro citado anteriormente, Rita Carter aponta uma série de situações com as quais ela relaciona alterações em regiões específicas do cérebro:

– 15% das pessoas que tem perda parcial da visão apresentam relatos de alucinações;

– lesões no lobo frontal esquerdo provocam a redução na capacidade de distinguir os estímulos gerados externa e internamente;

– lesões na área occipito-parietal levam a crença de que objetos podem aparecer e desaparecer, por uma incapacidade de reter dois objetos na visão ao mesmo tempo;

– estimulação do lobo temporal pode provocar intensos flashbacks, sensações de “presenças” de seres ou pessoas e alteração na percepção da forma dos objetos;

– a estimulação do sistema temporal/límbico pode levar as sensações intensas de alegria, de estar na presença de Deus e precipitar visões religiosas;

– quando se estimula o córtex auditivo pode se produzir vozes alucinatórias. No caso da sua área superior, a percepção será de sons, barulhos, como silvos, cliques e estrondos;

– na área de formato visual, presente no hemisfério direito, surgirão contornos fantasmagóricos, no caso de uma superestimulação;

– a percepção de duplos espectrais de pessoas vivas ou de si próprio pode ser o resultado de uma alteração da margem do córtex parietal/sensorial.

Estudos apontam ainda que a enxaqueca, a epilepsia e uma grande variedade de drogas podem alterar a atividade cerebral normal, provocando alucinações.

No caso de pessoas que perdem ou reduzem a capacidade de apreender os estímulos sensoriais externos, há maior propensão para ouvir vozes e sons fantasmas. Acreditam os estudiosos que o cérebro evoluiu para manter uma vigilância permanente do mundo externo e que, quando o fluxo desses estímulos é desligado, ele busca algo que o substitua, ampliando a intensidade e significação de pequenos estímulos.

Os casos de alucinações somatossensoriais são de mais difícil identificação, pois os indivíduos normais tomam como realidade leves alucinações, como no caso em que se coça na ausência de um estímulo externo gerador.

Desta forma, a visão da ciência atual conclui que as alucinações seriam fruto de lesões de áreas sensitivas específicas, da superestimulação em alguns casos, de processos patológicos com sofrimento neuronal, como nas enxaquecas, epilepsia, intoxicações por substâncias químicas, ou como mecanismo de substituição no caso da perda de determinadas sensibilidades.

A ciência espírita não nega a realidade dos fenômenos alucinatórios, mas vai além na sua compreensão. Por saber que o pensar gera, ao derredor da criatura, formas compatíveis com seu pensamento; que, quando estes pensamentos se tornam constantes e de grande intensidade, surgem as formas-pensamentos, as quais parecem ser entidades ou vivências reais que – por não fazerem parte do campo mental dos que observam o fenômeno – são consideradas inexistentes.

Existe ainda a realidade espiritual, que transcende os mundos físicos, móvel de estudo do Espiritismo, a qual pode ser sentida e experimentada de forma mais ostensiva pelos chamados médiuns ou sensitivos que, ao relatá-las, podem ser vistas como alucinações. O fenômeno seria mais próximo das questões patológicas quando a mediunidade estivesse conturbada, apresentando uma expressão afetiva adoecida pelo medo, pela culpa e, em especial, pela raiva, como nas chamadas obsessões ou possessões.

Nesse sentido, a Organização Mundial de Saúde já orienta que a fenomenologia que se assemelha às alucinações precisa ser observada dentro do aspecto cultural de uma sociedade e, fazendo parte desta cultura, não pode ser entendida como expressão patológica por si somente.

Os delírios são alterações do juízo de realidade (capacidade de distinguir o falso do verdadeiro) e implica lucidez da consciência. Inúmeros estudos utilizando SPECT e PET em indivíduos esquizofrênicos detectaram a presença de hipoatividade cortical frontal e hiperatividade temporal em pacientes delirantes agudos. Esses métodos de investigação demonstraram, principalmente através de um amplo estudo PET do FSC, que diferentes agrupamentos de sintomas delirantes da esquizofrenia estão relacionados a padrões específicos de atividade cerebral subjacente. Tais situações estariam diretamente ligadas ao aumento da ação dopaminérgica, já que o uso de inibidores desse neurotransmissor faz desaparecer a sintomatologia em quase sua totalidade.

Os indivíduos acometidos tanto de delirium como de delírio têm alterações do pensamento no que se refere à compreensão dos fatos. Nos casos das alucinações as percepções são tidas como realidade, levando a comportamentos e vivências alterados. Todas estas alterações terminam por comprometer a interação com outras pessoas, provocando padrões anormais de comportamento.

Nesse aspecto, o Espiritismo observa, como hoje a física quântica já afirma, que a realidade não pode ser determinada da forma reducionista, como os materialistas insistem em realçar. A criatura convive com diversas expressões de conhecimentos, as quais deverão ser paulatinamente apreendidas pela ciência ortodoxa. Uma delas é a realidade de uma experiência reencarnatória, onde memórias de vidas passadas podem apresentar-se à criatura, facilitando ou dificultando determinadas vivências atuais, entendidas como delírios.Outra é oriunda da sensibilidade mediúnica, onde o sensitivo apreende determinadas verdades, de conotação afetiva positiva ou negativa, que, ao serem relatadas de forma contundente, são vistas como delirantes. Como exemplo, nos casos de obsessão espiritual, em que o médium relata que está sendo perseguido por uma criatura que o acusa de um crime. Por não saber que é médium ou por estar desequilibrado emocionalmente, este relato pode ser considerado um delírio persecutório, quando, na verdade, seria fruto de acusação de uma entidade espiritual de atitude vivida nesta ou em outra encarnação.

Uma abordagem neurológica dos fenômenos místicos e dos estados alterados da consciência



O estudioso William Sargant chegou à conclusão de que as semelhanças entre os Estados Alterados de Consciência (EACs) transcendentes por ele observadas apontavam para um sistema cerebral comum, afetado por diferentes manipulações culturalmente específicas. A partir disso, os neurocientistas têm fornecido suporte a esse mecanismo, explicando que existe um circuito neural complexo encontrado nos níveis médios do cérebro dos mamíferos, conhecido como sistema límbico. Esse sistema tem uma variedade de funções emocionais, motivacionais e de memória, além de estar envolvido com as funções de atenção e do despertar. A estimulação elétrica de áreas límbicas em pacientes de neurocirurgia produz intensas alterações da consciência, incluindo aquelas presentes nos estados transcendentes ou místicos.

Alguns tipos de enxaqueca e ataques epiléticos que se originam nas estruturas límbicas do lobo temporal são também capazes de produzir estados dissociativos similares. A idéia de que experiências transcendentes são causadas pela hiperativação das funções normais desse circuito é reforçada pela pesquisa em neurofarmacologia, mostrando que drogas psicodélicas podem alterar a atividade no sistema límbico. E, finalmente, patologias associadas a profundos distúrbios emocionais e alucinações são também conhecidas por envolver anormalidades límbicas.

Após coligir pesquisas em drogas psicodélicas, neuropatologias e várias técnicas comportamentais usadas para alterar a consciência, o neuropsiquiatra Arnold Mandell (1880) comparou seus efeitos com os descritos na tradição mística. Ele mostrou como todas essas manipulações eram capazes de afetar a atividade neural no sistema límbico. Mandell implicou interações especiais entre o septo, hipocampo e amídala como decisivas para a ocorrência de experiências transcendentes. Este circuito pode ser afetado por vários estados patológicos, assim como por estimulação rítmica prolongada, privação sensorial e as três grandes classes de drogas alucinógenas (as que afetam os neurotransmissores serotonina, acetilcolina e as catecolaminas).

Essa abordagem não invalidaria a existência de tais experiências místicas. Ao contrário, Mandell afirma que elas podem acontecer por um mecanismo fisiológico ou fruto da ação de determinadas substâncias químicas. Para o Espiritismo o sistema nervoso em sua totalidade é a expressão mais evoluída do indivíduo e é através dele que o espírito atua controlando as ações do corpo físico. Portanto, toda a ação espiritual teria uma expressão física, como se vê a seguir.

Uma teoria sobre o mecanismo neurofisiológico da mediunidade



Kardec, em “O Livro dos Médiuns”, afirma que a mediunidade seria uma faculdade orgânica, ou seja, dependeria de um organismo, sendo que este abarcaria a estrutura do ser encarnado, incluindo toda bagagem física, especializada para tal, e dos elementos perispirituais, que capacitam o homem a viver no intercâmbio entre o mundo material e o espiritual. Como já foi citado anteriormente, as estruturas pertencentes ao sistema nervoso são as mais especializadas, além de serem as mais sutis do corpo físico.

Importante ressaltar que, na realidade, os fenômenos mediúnicos se iniciam no corpo espiritual, ou mais precisamente em estruturas menos densas, onde se encontra a manifestação dos pensamentos.

Quanto a essa percepção, vejam-se as colocações de André Luiz, em “Evolução em Dois Mundos”, ao se referir ao surgimento dos rudimentos da mediunidade na Terra: “Considerando toda célula em ação por unidade viva, qual motor microscópio, em conexão com a usina mental, é claramente compreensível que todas as agregações celulares emitam radiações e que essas se articulem, através de sinergias funcionais, a se constituírem de recursos, os quais podemos nomear por tecidos de forças”.

Nessa tela eletromagnética circula o pensamento, colorindo-a com as vibrações e imagens de que se constitui, aí exibindo as solicitações e os quadros que improvisa, antes de irradiá-los no rumo dos objetos e das metas que demanda. Nessa conjugação de forças físico-químicas e mentais existem as auras humanas, peculiares a cada indivíduo, em que todos os estados da alma se estampam, com sinais característicos e em que todas as idéias se evidenciam, plasmando telas vivas. A aura é, portanto, a plataforma onipresente em toda comunicação com as rotas alheias e nas atividades de intercâmbio com a vida que rodeiam a criatura. Por essa couraça vibratória, espécie de carapaça fluídica, é que começaram todas as expressões da mediunidade no planeta.

Essa obra de permuta, no entanto, foi iniciada no mundo sem qualquer direção consciente. A intuição foi, por esse motivo, o sistema inicial de intercâmbio.

A tentativa de compreensão dos mecanismos em nível físico leva ao estudo do mecanismo das estruturas cerebrais que são as mais sutis e aprimoradas do ser. Assim, o cérebro e todas as estruturas do sistema nervoso estão intimamente vinculados ao fenômeno mediúnico.

O desenvolvimento da neurociência, apoiado nos mais modernos meios de estudos da atividade neuronal, como a tomografia computadorizada a ressonância magnética e a tomografia por emissão de pósitrons, tem caminhado para a compreensão da fisiologia cerebral.

Admite-se hoje que a atividade mental seria a resultante de uma ação harmônica de um grupo de estruturas cerebrais que, interagindo, formariam um sistema funcional complexo.

A doutrina espírita tem mostrado que, na realidade, os processos mentais seriam frutos da atividade espiritual com repercussão na estrutura física cerebral; sendo assim, o cérebro seria apenas o instrumento. No entanto, para ocorrer essa integração entre a essência espiritual, sua manifestação e a estrutura física, é necessária a existência de um elemento, que seja intermediário tanto na função e também em sua composição. Esse corpo é chamado espiritual ou perispírito.

“Esse corpo espiritual é composto de uma substância vaporosa para os teus olhos, mas ainda bastante grosseira para nós, assaz vaporosa, entretanto, para poder elevar-se na atmosfera e transportar-se aonde queira”. (LE. perg. 93).

Por esse corpo semimaterial, presente também nos desencarnados, ocorreriam as comunicações mediúnicas. A partir das informações da neurologia e dos ensinos dos espíritos, busca-se maior compreensão do fenômeno mediúnico e da participação de estruturas e áreas cerebrais em sua expressão.

Todo o material apresentado aqui é fruto de síntese e compilação de estudos realizados por escritores dos dois planos da vida.

Do ponto de vista anatômico, o sistema nervoso é constituído pelos sistemas nervoso central e periférico. O periférico é constituído por nervos e gânglios. Os nervos são cordões esbranquiçados que ligam o sistema nervoso central (SNC) aos órgãos periféricos. Quando a sua origem se dá ao nível do encéfalo, ele é chamado de nervo craniano. Se sua origem ocorre ao nível da medula espinhal, ele é chamado de nervo espinhal. Em alguns nervos podem existir certas dilatações constituídas principalmente de corpos celulares de neurônios, que são os gânglios.

Os nervos funcionam como estações emissoras e receptoras, manipulando a energia mental, projetada ou recolhida pela mente, em ação constante nos domínios da sensação e da idéia, atuando nos demais centros do corpo espiritual e nas zonas fisiológicas que se configuram no veículo somático.

Uma proposta deste modelo levanta as seguintes explicações:

No córtex cerebral se origina a atividade motora voluntária e consciente. Ali também são codificadas todas as percepções sensitivas que chegam ao cérebro e organizadas as funções cognitivas complexas. Para tornar-se consciente, a atividade cerebral precisa estabelecer uma interação entre o córtex cerebral, o tálamo e a substância reticular do tronco cerebral e do diencéfalo, na qual se situa o centro da consciência. Uma lesão nessa substância provoca o estado do coma.

Da substância reticular projetam-se estímulos neuronais ativadores ou inibidores da atividade do córtex cerebral, responsável pelos diversos estágios de consciência. Desta forma, o fato de uma manifestação mediúnica ser consciente ou não, após o fenômeno para o medianeiro, deve envolver estas áreas ligadas à consciência, certamente objetivando algum benefício para a estrutura do sensitivo.

Ao estudar a anatomia e fisiologia do córtex, concluímos que os fenômenos da psicografia, a vidência, a audiência e a psicofonia devem ter a participação ativa dessa estrutura, pois ali se encontram as áreas específicas para a escrita, visão, audição e fala. Mesmo quando na inconsciência do médium, esses centros devem ser ativados para decodificação e organização motora do fenômeno. Na ausência de um bloqueio do sistema reticular ativador ascendente (por parte do médium ou do espírito comunicante), as mensagens seriam sempre conscientes e o médium poderia acrescentar sua participação, distorção, ou a falta de detalhes dependeria do maior ou menor grau de desenvolvimento mediúnico. Essas interferências do sensitivo são chamadas de anímicas e sempre se fazem presentes, pois o fenômeno tem que se expressar a partir dos recursos intelectivos, emocionais e culturais do medianeiro. Elas diferem da ação maldosa de criaturas que simulam tais fenômenos na busca de terem algum tipo de ganho pessoal – o que a doutrina espírita também chama de charlatanismo.

Os gânglios ou núcleos da base, constituídos por aglomerados de neurônios situados na profundidade da substância branca cerebral, são responsáveis por funções motoras automáticas e involuntárias, e fazem parte do sistema extrapiramidal. Eles controlam o tônus muscular, a postura corporal e uma série de movimentos gestuais que completam a movimentação voluntária; após o nascimento, coordenam a nossa gesticulação reflexa e automatizada. Progressivamente surgem os movimentos intencionais (voluntários), projetados pelo córtex através de sua área motora principal, que se vão sucedendo com maior facilidade, tornando-se automáticos. Considerando o fenômeno mediúnico da psicografia e da psicofonia, pode-se observar que os médiuns, ao discursar ou escrever sob influência do espírito comunicante, geralmente o fazem revelando gestos, posturas e expressões mais ou menos comuns aos todos sensitivos, o que leva a crer que haja uma ação de característica primária na utilização dessas áreas cerebrais durante a fenomenologia, provocando essa semelhança no agir.

Na psicografia, por exemplo, a escrita freqüentemente ocorre com muita rapidez, as palavras podem aparecer escritas com pouca clareza e as letras, geralmente, são grandes, provavelmente, para facilitar a escrita rápida. A caligrafia é sem capricho e não há necessidade de o médium acompanhar o que escreve, podendo, inclusive, ocorrer escrita em espelho. Nesses tipos de fenômenos, os médiuns conscientes relatam que são levados a escrever ou falar como se isso independesse de suas próprias vontades.

Numa correlação da fisiologia do sistema extrapiramidal (gânglios da base e área cortical pré-motora) com as características da comunicação mediúnica, pode-se dizer que o espírito comunicante se utilizaria desse sistema automático para se manifestar com maior rapidez, com um mínimo de gasto de energia e menor interferência consciente do médium e maior possibilidade de suceder uma amnésia. Essas comunicações seriam resultado de uma constelação de automatismos complexos, desempenhados pelo sistema extrapiramidal do médium, mas com a co-autoria do espírito comunicante. Como essa atuação não impediria a consciência do médium, ocorreriam ingerências voluntárias do sensitivo, podendo ele interromper o fenômeno quando quisesse ou necessitasse, justificando desse modo a necessidade da educação mediúnica.

Na ausência de bloqueio desse sistema reticular ativador ascendente, por parte do médium ou do espírito comunicante, as mensagens seriam sempre conscientes, com que o médium poderia acrescentar sua participação intelectual na comunicação, causando, muitas vezes, dúvidas no intermediário sobre a realidade do fenômeno. O que se acredita, atualmente, é que nenhuma comunicação mediúnica seja totalmente inconsciente, pois é sempre necessária a participação do córtex. O fenômeno da inconsciência seria fruto de amnésia provocada pelo desligamento entre os elementos sutis do espírito e da estrutura psíquica do médium (interação de campos de força), provavelmente envolvendo o sistema reticular ativador ascendente.

Os trabalhos modernos da neuropsicologia têm identificado no córtex do hemisfério direito as funções correlacionadas com a organização de noção geométrica e espacial. Quando ocorrem lesões nessas áreas as falhas nos desenhos são muito características: os objetos são esquematizados com negligência de detalhes, ficando as figuras incompletas. Os médiuns que captam informações à distância ou registram visões imateriais também costumam descrever suas percepções com falta de detalhes ou amputações, semelhantes às das síndromes do hemisfério direito. Esse nível de distorção ou de falta de detalhes dependeria do maior ou menor grau de desenvolvimento mediúnico ou da utilização dessas áreas cerebrais durante este tipo de fenômeno, dando como resultado essas percepções distorcidas.

O tálamo é um núcleo sensitivo por excelência, exercendo um papel receptor, centralizador e seletor das informações advindas dos botões sensórios. Assim, todos os estímulos do tipo dor, tato, temperatura e pressão, percebidos em toda extensão do corpo, percorrem as vias neurais, terminando no tálamo. Aqueles estímulos são percebidos, priorizados e selecionados, chegando ao cérebro apenas os mais convenientes ou os mais urgentes. Para os de menor importância, o tálamo pode fornecer as informações desejadas, quando essas são requeridas pelo cérebro.

Desse modo, o tálamo exerce um papel bloqueador, interrompendo o caminho até o córtex cerebral, o qual será alcançado se a informação for nova ou de interesse ou, ainda, de risco. É bem provável que muitas sensações somáticas referidas pelos médiuns, dando a impressão da aproximação de entidades espirituais, sejam efeitos dos estímulos talâmicos. A possibilidade de facilitação ou inibição para a sensibilidade desses estímulos espirituais estaria sob o comando do córtex cerebral, acrescida à própria postura atenciosa do médium, em especial, devido ao seu estado emocional ou a sua postura disciplinar na mediunidade.

Com as pesquisas de Lener, em 1958, a partir da descoberta da melatonina, a glândula pineal passou a ser estudada com maior ênfase. Desde então foram sendo esclarecidas suas relações com a luminosidade. Experimentalmente foi demonstrado que a luz interfere na função da pineal através da retina, atingindo o núcleo quiasmático, o hipotálamo, o tronco cerebral, a medula espinhal, o gânglio cervical superior, chegando finalmente ao nervo conari, na tenda do cerebelo. Entre a pineal e o restante do cérebro não há uma via nervosa direta, sendo sua ação resultado das repercussões químicas das substâncias que produz. Pesquisas mais recentes demonstram relação direta da melatonina com uma série de patologias neurológicas, como a epilepsia, a insônia, a depressão e os distúrbios do movimento. Altas dosagens de melatonina injetadas em alguns animais desenvolvem incoordenação motora, perda da motricidade voluntária, relaxamento muscular, queda das pálpebras, pêlo-ereção, vaso dilatação das extremidades, redução da temperatura e respiração agônica (muitos desses fenômenos estão presentes nos relatos dos médiuns no início das percepções espirituais). Além disso, descobriu-se que, ao interagir com os neurônios serotoninérgicos e com os receptores benzodiazepínicos do cérebro, a melatonina provoca um efeito sedativo e anticonvulsivante. Alguns trabalhos confirmam uma propriedade analgésica central da melatonina.

Acredita-se na possibilidade da melatonina ter importante papel na gênese de algumas patologias psiquiátricas, como a depressão e a esquizofrenia.

A literatura oferece uma série de informações que dão destaque especial a essa glândula, como núcleo gerador de irradiação luminosa, servindo como porta de entrada para a percepção do mundo espiritual e como elemento físico através do qual o espírito rege toda a estrutura somática. André Luiz, através da psicografia de Francisco C. Xavier, no livro “Missionários da Luz”, assim se refere à pineal: “É a glândula da vida mental. Ela acorda no organismo do homem, na puberdade, as forças criadoras e, em seguida, continua a funcionar como o mais avançado laboratório de elementos psíquicos da Criatura terrestre (…). Ela preside aos fenômenos nervosos da emotividade, como órgão de elevada expressão no corpo etéreo”.

Dr. Jorge Andréa sobre esta glândula, em seu livro “Forças Sexuais da Alma”, afirma: (…) “seria realmente o casulo das energias do inconsciente, a sede do espírito, pela possibilidade de ser a zona medianeira de transição entre o energético e o físico. A glândula pineal deve ser considerada a glândula da vida psíquica; a glândula que ilumina toda a cadeia orgânica, orientando as glândulas de secreção interna através das estruturas da hipófise. (…) seria a tela medianeira onde o espírito encontraria os meios de aquisição dos seus íntimos valores, por um lado, e, pelo outro, forneceria as condições para o crescimento mental do homem, num verdadeiro ciclo aberto, inesgotável de possibilidades e potencialidades. Descartes atribuiu-lhe a honra de ser a sede da alma, ou seja, o ponto em que a alma se pendia ao corpo. Ela seria uma chave de ligação elétrica, ou melhor, uma válvula. Os nervos seriam os canais por onde passam os impulsos eletromagnéticos eletroquímicos, mas seria no corpo pineal que se registrariam esses impulsos e transmitidos para o espírito”.

Pastorino, no livro “Técnicas da Mediunidade”, ao comentar sobre a calcificação da glândula, assim se expressa: “A própria chamada areia (sais calcários) tem sua tarefa específica, ainda não revelada: com suas lâminas concêntricas desincumbe-se de seu serviço à semelhança daquela pedra natural denominada galena, que possui capacidade idêntica, de detectar ondas hertzianas”.

Na própria pedra galena é indispensável procurar um pontinho microscópio para conseguir essa transmutação. Assim ocorre com o corpo pineal, muito superior em seu funcionamento à galena. Nele temos, não propriamente como interpretou Descartes, mas como a válvula transmissora-receptora de vibrações do corpo astral a regular todo o fluxo de emissões do espírito para o corpo físico e vice-versa. Daí sua grande importância para a mediunidade. Ao se observar a sensibilidade da pineal à luz, pode-se pensar ser ela também mais sensível às vibrações eletromagnéticas. A irradiação espiritual seria essencialmente semelhante à onda eletromagnética que conhecemos, compreendendo assim sua ação direta sobre a pineal. Isso também explicaria o porquê da maior presença de fenômenos mediúnicos em situações desprovidas/ ou de pouca luminosidade.

Desse modo, num primeiro contato do médium com a entidade espiritual, esse encontro se daria através da pineal. A ação química, a partir do grau de estimulação no fenômeno mediúnico, explicaria aquelas sensações relatadas pelos médiuns, bem como as flutuações da intensidade e freqüência dessas. Á medida que desenvolva sua capacidade e moral, o médium terá as sensações diminuídas em seus aspectos dolorosos, fazendo da mediunidade, cada vez mais, um instrumento de crescimento e de felicidade.

Características marcantes dos delírios

a) Perda do juízo da realidade por parte do sujeito;

b) Ausência da consciência da sua própria enfermidade;

c) Firme convicção do sujeito da veracidade (objetividade) de suas idéias;

d) Não modificáveis nem pela experiência, nem por conclusões irrefutáveis;

e) Incorporados à personalidade;

f) Incorrigíveis, porque a convicção anormal se assenta sobre um transtorno da personalidade;

g) Apresentam-se como uma forma de pensamento desassociado e autista;

h) Como se constitui uma alteração patológica do conteúdo do pensamento, proveniente de quadro que pode comprometer o sujeito como uma unidade, o resto dos processos do pensamento pode ser afetado (desagregação delirante).

Características marcantes das alucinações



a) São percepções sem um estímulo externo, emancipadas de todas as variáveis que podem acompanhar os estímulos ambientais;

b) Convicção inabalável do sujeito em relação ao objeto alucinado;

c) O objeto alucinado, muitas vezes, é percebido com maior nitidez que os objetos reais de fato;

d) Podem se manifestar através de qualquer um dos cinco sentidos, sendo as mais freqüentes as auditivas e visuais;

e) O envolvimento psíquico é mais contundente e de caráter mais mórbido do que nas ilusões.

Características fundamentais do fenômeno mediúnico



a) Na grande maioria das manifestações não há perda do juízo da realidade e, quando isto acontece, é prova de um comprometimento do sensitivo, que necessita de algum tipo de ajuda especializada, sem descaracterizar a existência da sensibilidade mediúnica;

b) O comportamento do médium, no geral, segue os parâmetros da normalidade, reconhecendo a realidade do fenômeno e sua origem, dentro das suas crenças. Isso pode ser confirmado pelo trabalho do Dr Alexander Moreira, que estudou 115 médiuns espíritas escolhidos aleatoriamente em instituições kardecistas da cidade de São Paulo, tendo verificado que eles “evidenciaram alto nível socioeducacional, baixa prevalência de transtornos psiquiátricos menores e razoável adequação social. A mediunidade provavelmente se constitui numa vivência diferente do transtorno de identidade dissociativa. A maioria teve o início de suas manifestações mediúnicas na infância, e estas, atualmente, se caracterizam por vivências de influência ou alucinatórias, que não necessariamente implicam num diagnóstico de esquizofrenia”. “Fenomenologia das experiências mediúnicas, perfil e psicopatologia de médiuns espíritas” Almeida, Alexander Moreira de – Tese de Doutorado em Psiquiatria – USP. 2005.

c) É capaz de ocorrer o questionamento do sensitivo, em especial, sob o aspecto do conteúdo apresentado e se relaciona diretamente com suas crenças religiosas;

d) Não é parte da personalidade do médium, mas os conteúdos morais e as experiências podem modificar positivamente a vida afetiva e os comportamentos do sensitivo. No entanto, nos processos obsessivos podem apresentar sérias semelhanças com os quadros patológicos, necessitando da intervenção de profissionais especializados para diferenciar uma de outra situação;

e) A grande maioria dos sensitivos não apresenta transtornos importantes da personalidade e fora do fenômeno tem uma vida comum, cumprindo os papéis fundamentais dentro da sociedade;

f) O conteúdo das manifestações não tem caráter dissociativo ou autista; geralmente, são congruentes com a realidade e, algumas vezes, trazem revelações que podem ser confirmadas por terceiros, desconhecidas dos sensitivos. Os quadros não são constantes na vida da criatura, o que não impede que o médium tenha um cotidiano semelhante ao da maioria das pessoas;

g) Por não se constituírem manifestações patológicas não geram um comprometimento da vida social do médium, nem causam uma desagregação interna do indivíduo.

Desse modo pode-se resumidamente identificar alguns elementos para diferenciar os fenômenos delirantes-alucinatórios das manifestações mediúnicas:

– Características do fenômeno

Os quadros patológicos são acompanhados de uma sintomatologia mais ampla do que a presença de delírios e alucinações, na maioria das vezes. Deve ser avaliada toda a história do indivíduo, que quase sempre já apresentava sinais de alterações emocionais. É muito comum a presença de quadros semelhantes nos familiares mais próximos, podendo ser induzidos por doenças orgânicas ou traumatismos e pelo uso de substâncias químicas. Entretanto, alguns casos de eclosão mediúnica, em especial, com a interferência de obsessores podem assemelhar-se ou serem induzidos por psicotrópicos que levam aos ECAs.

O caso é que os portadores de transtornos mentais não darão sinais de evidente melhora ou cessação dos sintomas com apenas a interferência no campo espiritual. No entanto, os fenômenos mediúnicos podem ser reprimidos com a medicação antipsicótica, que bloqueia as mesmas vias de manifestação cerebral, como citado anteriormente, dando a impressão de uma patologia psiquiátrica. A observação não pode ser restrita ao fenômeno; é preciso uma leitura completa da história pessoal e um acompanhamento da evolução do caso. Quando o fenômeno se apresenta em médiuns já desenvolvidos, mesmo se suas características são semelhantes a processos psicóticos, poder-se-á fazer com clareza a diferença entre a conduta anterior e posterior do sensitivo em sua vida particular.

– Conteúdo da fenomenologia

Uma questão fundamental para a diferenciação dos fenômenos são os seus conteúdos. Geralmente, as informações na mediunidade são pautadas por maior coerência, revelando dados desconhecidos pelos médiuns, os quais identificam as entidades espirituais que podem ser confirmadas pelas pessoas ligadas a esses processos.

Ainda aqui os fenômenos medianímicos nem sempre apresentam dados bastante claros: a presença de processos de vingança espiritual, por exemplo, pode levar a confusão com os delírios persecutórios. Entretanto, essa perseguição não é necessariamente dirigida para o medianeiro, como nos casos delirantes, cujo conteúdo é auto-referencial.

Também não é comum que as alucinações tenham expressões de beleza e elevado teor moral, diferindo das manifestações de entidades superiores.

Deve ser lembrado nessa situação, como em outros casos, as manifestações histéricas, de profundo colorido anímico, presas aos conteúdos e histórias pessoais, as quais poderão ser identificadas ao ser avaliada a vida do indivíduo em sua totalidade. Isso é dificultado por uma observação comum: a de que muitos sensitivos apresentam tonalidade histérica em sua expressão diária, sejam quais forem os aspectos do relacionamento.

– Personalidade e estado psicológico do medianeiro

As manifestações patológicas estão associadas a uma estrutura emocional doentia. Desse modo, os indivíduos doentes têm um comprometimento geral em seu comportamento e afetividade, diferindo dos médiuns que, fora do fenômeno, são criaturas com uma vida de relação pautada dentro de parâmetros de normalidade.

Grande dificuldade apresentam os casos patológicos associados à presença de sensibilidade mediúnica. Ou seja, os portadores de transtornos mentais que também são médiuns. Para diagnosticá-los é fundamental a presença de um profissional especializado que tenha conhecimento espiritual, em especial o espírita. Para chegar a esta conclusão é necessário, muitas vezes, um acompanhamento do sujeito por um tempo maior. De toda forma, a orientação precisa seria a da interrupção de quaisquer estímulos à mediunidade, cuidando do aspecto médico até que se tenha certeza de outras formas de orientação para o caso.

O uso de antipsicóticos inibirá tanto as alucinações e delírios quanto os fenômenos mediúnicos, causando maiores dúvidas para o diagnóstico. Nesses casos a orientação espiritual através de médiuns sérios e experientes poderá servir como mais um elemento para a diferenciação. É preciso ter o cuidado com posicionamentos extremados e fanatizados de ambos os lados (médico e espiritualista), tendenciosos, a observarem os quadros apenas por um ponto de vista.

– Evolução do fenômeno na vida do sensitivo

Um fator importante é a diferenciação na evolução do sujeito. Em geral a fenomenologia mediúnica não é antecedida de sintomas psicopatológicos graves, nem de distúrbios de caráter acentuados, embora isso possa acontecer em certos casos. O que geralmente se observa são expressões de maior sensibilidade emocional nos relacionamentos, com mudanças súbitas de humor e comportamento, com volta à normalidade em curto espaço de tempo, também presente em alguns processos psiquiátricos.

Nas obsessões graves, porém, a influência de uma entidade espiritual doente sobre o medianeiro pode dar o aspecto de um quadro psiquiátrico. Será necessária a intervenção médica para observar a evolução do quadro, o que, diante dos cuidados espirituais, geralmente não deixará seqüelas. As informações mediúnicas sérias poderão facilitar esse diagnóstico, mas não deverão partir de apenas um sensitivo, como já orientava Allan Kardec.

Com o desenvolvimento mediúnico, os distúrbios emocionais deverão cessar e as manifestações se restringirão aos momentos de transe. A situação do medianeiro tenderá ao normal na maioria das criaturas, com o despertamento para os aspectos éticos. Toda a postura estará pautada dentro de uma crença específica. No entanto, não se pode esquecer que existem sensitivos voltados para a prática do mal ou ligados ao ganho material através do dom que possuem. A experiência tem mostrado que na maioria das vezes esses médiuns caminham para uma derrocada moral ou para o adoecimento, como efeito de uma ligação mental com energias tóxicas.

A maior parte dos processos psicóticos que envolvem as alucinações e delírios, tem um prognóstico reservado, com repercussão ruim e extensa na vida do paciente, necessitando do uso da medicação por longos períodos ou até mesmo pela vida inteira.

– Exames laboratoriais

Há muito que ser pesquisado e compreendido no que se refere ao funcionamento cerebral. Os estudos dos estados místicos mostram a realidade positiva dos seus efeitos na vida do ser, mas não comprovam sua realidade no aspecto da transcendência. Como foi citado anteriormente, as áreas da visão real, do imaginar uma cena ou das chamadas visões espirituais são as mesmas. Alguns trabalhos científicos citam que o que as diferenciaria seria a intensidade do fluxo das reações aos estímulos. Isso, no entanto, exige maiores estudos e pode ser questionado por aqueles que já conseguem apreender a realidade espiritual.

Existem estudos ligados à glândula pineal que buscam distinguir os processos de cristalização, relacionando-os com alguns tipos de mediunidade; entretanto, esses ainda são preliminares e estão no campo das hipóteses.

Sabe-se hoje que os ECAs são realidade, mas não há aceitação de sua relação direta com as chamadas interferências espirituais, ou seja, questiona-se o verdadeiro móvel desses estados.

Uma crítica importante a este tipo de pesquisa é semelhante àquela que busca compreender os mecanismos cerebrais durante o ato sexual. A presença de observadores, o uso de aparelhos e a necessidade de um ambiente favorável à pesquisa (nem sempre favorável ao fenômeno) podem inibir a sensibilidade ou causar interferência de tal grau, a ponto de comprometer os resultados.

Outras observações envolveriam níveis de determinadas substâncias durante o processo mediúnico, tais como a melatonina, a dopamina e a adrenalina. Certamente, pelos dados aqui relatados – em especial no que concerne às teorias – essas substâncias são participantes da fenomenologia na sua expressão física. Entretanto, também, os quadros patológicos apresentam alterações dessas substâncias e de forma particular da dopamina.

Todo esse processo será móvel de observações mais rigorosas, com levantamento de dados mais precisos, e em futuro próximo facilitará o reconhecimento da realidade da mediunidade. O certo é que dia-a-dia as pesquisas científicas estão oferecendo parâmetros, os quais têm referendado as informações já noticiadas no campo espiritual, em especial, do Espiritismo.

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